domingo, 29 de junho de 2008

Quando a saudade bater...

Texto escrito no final de 2007 em homenagem aos alunos da oitava série da Escola Padre Maurício.

Todos se preparam pra partida.
Ajeita uma coisa aqui, conserta outra ali. Tudo tem que estar preparado pro "Gran Finale". E que final. Foram anos marcantes em que alguns ficaram marcados. E todos apaixonados. Apaixonados por este local e pelas histórias que aqui foram contadas. E vividas também. O que nos torna especial é justamente isso. Aqui não temos só alunos. Temos vidas. Vidas que erram, que acertam, que choram, que se alegram. E cada um de vocês faz parte dessa história. Mas você tem que ir. Vai em boa hora. Trilhar outros caminhos. Enfrentar novos desafios. E cada lágrima que sair dos seus olhos é uma semente que germinando se transforma na árvore da sua história vital.
Você vai deixar lembranças. Aquelas "pequenas coisas" que te tornam inesquecível. São os bons momentos que superam os ruins. Que fazem você ser o que é. O ano foi difícil . Mas pior seria sem você por perto.
Por isso não é hora de tristeza. É momento de gratidão. De agradecer pelas vitórias obtidas e por aquelas que ainda virão. De ser grato por aqueles que ficam e por todos que o acompanharão. E de celebrar a vida, pois de qualquer modo ela continua.
E muitas histórias ainda serão contadas por você. Entretanto lembre sempre das lições que você aprendeu aqui. Do conhecimento partilhado e do adquirido . Principalmente, lembre que você não é um aluno. Sua luz própria brilha mais a cada dia.
E quando a saudade bater não precisa atender. Lugar no seu coração ela não vai encontrar, pois quem é especial sempre perto vai estar.
E na vida não há finais. Apenas começos que se encontram no grande palco da humanidade.
E você vive um agora.

Gilberto Nunes, professor da Escola Padre Maurício.

Bala nos Argentinos?

Agora todo mundo, em uma só voz: "Abaixo os Argentinos. Eles é que são macaquitos".

Lavamos a alma quando falamos dos Argentinos. O maior prazer do mundo é quando massacramos a Argentina no futebol.
Também, os Argentinos são de morte. Que povinho! A maior parte deles vive na miséria. O desemprego aumenta e a educação vai mal das pernas. Padecem debaixo de uma dívida externa que parece eterna. São "chicoteados" pelo FMI e Banco mundial. E pra piorar , vivem debaixo do fardo de ser um país colonizado. Pobres Argentinos. O interessante é que se olharmos bem de perto, a situação da Argentina se parece com... a nossa!!!
Tudo o que foi dito acima pode ser aplicado ao nosso país. Se passamos pelas mesmas situações, por que tanta hostilidade com nossos hermanos? De onde vem tanta rivalidade para com um país tão problemático como o nosso?
É preciso abrir os olhos e perceber como a mídia transmite uma visão perniciosa da Argentina e endeusa os norte-americanos ( que são nossos atuais colonizadores e pretensos "donos do mundo") colocando-os como modelos a serem seguidos.
Os países da America Latina e demais países pobres do mundo deveriam se unir contra um inimigo comum, que não são Os Estados Unidos, mas sim o modo de produção capitalista, que eles e outras nações representam
Estamos no mesmo barco que os Argentinos e devemos ser solidários com eles. E vice-versa.
Ao pensar nos Argentinos, imagine-se contemplando um espelho cujo reflexo somos nós, os Brasileiros.

Gilberto Nunes, professor da Escola Padre Maurício e estudante de Letras da UEMA.

Como se constrói um vencedor( Ou a vida de _________ )

Vamos lá!
Repita umas vintes vezes " eu sou capaz de vencer", "eu sou capaz de vencer!"
Agora pense positivamente e atraia boas energias.
Pronto! É só esperar e a vitória virá.

Por outro lado, se você não quer depender dessa bobagem de pseudo auto-ajuda, é importante saber que uma vitória seja qual for, não é de graça. Exige esforço. É construída. Não acontece de uma hora para outra. É um longo processo que começa na família, na aquisição da auto-estima tão necessária neste mundo competitivo em que estamos inseridos. E no contexto escolar do qual você faz parte, ter conhecimento, um bom aprendizado é fundamental. E isso não é sinônimo de boas notas, que são padronizadas e muitas vezes não dizem nada. É muito mais. É compreender o mundo ao nosso redor e qual papel que nos pertence.
Ser vencedor é isso. É amar a vida, ser feliz e principalmente fazer outros felizes.
A sociedade regida pelo capitalismo diz que só é vencedor aquele que é "alguém na vida". E o que é ser "alguém na vida"?
Essa é mais uma das várias manipulações ideológicas criadas para manter o sistema do modo como ele é. Porém, se você entendeu o que foi escrito, viva diferente da maioria , seja diferente.
E saiba que o espaço em branco lá em cima é do seu nome.
O nome de um grande vencedor abençoado por Deus.

Gilberto Cardoso, professor da Escola Padre Maurício e estudante de Letras da UEMA.

Apenas um garoto.

Inverno de 2008.

Apesar do frio intenso da madrugada, o garoto não sentia incômodo. Não sentia nada.
Estava morto.
O corpo ensanguentado perdeu os sonhos, as esperanças, a vida. Foi silenciado pelo som de uma bala.
Silenciado. Silêncio.
É o que não acontece hoje no Congresso Nacional. Lá o barulho das comissões parlamentares sacode o país. Todos em busca de provas concretas de corrupção. Procuram provas para o que comprovado estar. Nosso país é corrupto. Nasceu em um processo corrupto de colonização. Virou república corrupta e provavelmente vai continuar a ser.
Discursos políticos inflamados não irão mudar a nação. "Caras-pintadas" na ruas também não.
A mudança não pode ser superficial. Tem que ser na estrutura. Ela é que está podre, fadada ao fracasso. E nossos pequenos atos corruptos do dia-a- dia só pioram ainda mais as coisas.
Portanto, não se engane. A atual campanha contra corrupção nos cofres públicos não vai transformar o país. Haverá muita fumaça, mas pouco fogo. Como as regras dos jogo são injustas, o resultado também será. E a corrupção continuará gerando miséria, que por sua vez gera a violência que abate jovens como o do começo do texto.
Mas e daí, né?
Era apenas um garoto como tantos outros que há neste país. Entretanto, imagine se em vez de Mensalão, houvesse Educação? O quê esse garoto poderia ser?
Quer saber?
Não imagine. Era apenas um garoto.

Gilberto Cardoso, professor da Escola Padre Maurício e estudante de Letras da UEMA.

sábado, 28 de junho de 2008

A greve do Direito.

Estamos em greve. Nós. O povo.
E por tempo indeterminado.
E durante nossa "paralização", deixaremos de lado os mais fundamentais princípios da vida em sociedade. Sairemos pelas ruas em coro, proferindo palavras de protesto, pedindo mais justiça social. Parando apenas na hora da novela das oito e nos jogos da seleção ( quando houver), visto que ninguém é de ferro. Incomodaremos o sono dos poderosos, bloquearemos as ruas de suas moradias, invadiremos seus mais secretos paraísos de prazer e lazer. Tudo isso, até sermos atendidos em nossas revindicações.
Temos esse direito. Nosso direito de greve.
E afinal, como haverá governo sem os governados?
E esse será nosso "às na manga" quando estivermos na mesa de negociações. Só voltaremos as nossas funções, quando nos devolverem o que nos foi tirado há muito tempo: O Direito.
A constituição diz que ele pertence a todos. Entretanto cadê ele, que ninguém sabe, que ninguém viu? Opa! Quase ninguém.
O Governo sabe. O Governo o retém. Mantém nosso direito submisso aos seus mandos e desmandos. Aprisionado.
Educação. Saúde. Segurança pública. Temos direito a tudo isso. Mas quantos podem afirmar que se sentem seguros, com educação de qualidade ou com o mínimo de saúde pública à disposição?
Por isso, estamos em greve...
Ou estavámos. O Governo acabou de atender nossas petições. Concedeu-nos o direito de termos verdadeiramente o Direito. Pra valer. Sem enrolação.
Essa é mais uma vitória do povo. E só precisamos confiar nas palavras do Governo.
E quem não confiaria em um governo onde há tantos Mensalões, Sanguesugas, Gautamas e dinheiro na cueca?
E qualquer coisa , é só fazermos outra greve. Temos esse direito.
Ao menos, no papel!

Gilberto Nunes, professor da Escola Padre Maurício e estudante de Letras da UEMA

Como um partido pode ser inteiro?

Todo partido está errado.
Sei. Para os ouvidos mais sensíveis, a frase acima pode soar absurda. Mas não o é.
Teoricamente, um grupo ( e seja ele qual for) deve ter em suas fileiras pessoas diversas, porém iguais. Ao menos, em algum sentido. E o que se vê é o inverso. Há facções dentro da facção. O que em tese é incoerência. Mas também, o nome "partido" já é um incentivo a divisão. Como esperar fidelidade de idéias, de princípios, se cada um já traz os seus próprios elaborados e talhados segundo seus interesses pessoais?
Por isso, não é de se estranhar que um político, que foi de "direita" no ontem, abrace as idéias da "esquerda" no hoje. Aliás, "direita" e "esquerda" na política atual perderam o significado. Viraram direções físicas e não indicativos do modo de pensar de algum indivíduo.
Deviam se espelhar nas Escolas de Samba, que num ato de singela sabedoria etmológica, optam pelo termo "Unidos", ainda que não sejam tão unidos assim. Mas pelo menos, acertam na propaganda linguística. Quem não se empolga ou até mesmo vai às lágrimas ao dizer " Sou da Unidos da Vila Tal"?
Eis o poder das palavras. Elas enganam. E como gostam de enganar. Ainda mais um povo que acostumou-se a ser enganado. Se bem que isso não é tão ruim assim. O engano traz uma ilusão de algo que não existe, mas que... nossa... é tão bom! Pena que não pra todos.
É. Todo partido está errado.
E nas eleições, se partem ainda mais. Todos em busca do voto. Do precioso apoio do eleitorado, que será esquecido mais adiante.
E como um pais com tantos partidos pode dar certo?
Como algo partido pode dar certo?
Alguém pode explicar?

Gilberto Cardoso, professor da Escola Padre Maurício e estudante de Letras da UEMA.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Um país de bundões.

Terça-feira. 22 horas.

Zapeando pelos canais a procura de algo. Uma visão qualquer que iluminasse este dia cansativo. Quando de repente a vi. A Bunda. Grande. Linda. E rápida. Parecia até que tinha vida própria
Enquanto um mané cantava(?) algo impossível de classificar como música, a bunda reinava absoluta na tela.
Naquele momento de êxtase, a grande revelação aconteceu.
A Bunda. Ela é a solução.
Nada de planos econômicos mirabolantes. Nada de projetos educacionais revolucionários. Nada. Nada.
O negócio é olhar para trás. Usar a parte de trás. É com ela que o país vai avançar. A Bunda lembra submissão, subordinação. Lembra nossa própria história. Nada de olhar pra cima. Olhe pra baixo.
Que outros países fiquem conhecidos pela grande capacidade intelectual. Nós ficamos com o rebolado, com o remelexo de uma bunda arrebitada.
E depois de um dia cansativo de trabalho, faça como eu. Zapeie pelos canais a procura dela. Não vai demorar muito pra encontrá-la. E como diria Marta:" Relaxe e goze".
Se o seu cérebro reclamar de algo, mande-o dormir. Você não vai precisar dele mesmo.
E agora que já fomos bundalizados, precisamos divulgar nosso evangelho para outros. Comecemos pelas crianças, pois o adulto bundão do futuro começa na infância. E dá-lhe mulher melancia, melão e outras frutas tropicais.
Na próxima eleição, em vez de depositar confiança nos pilantras de sempre, eleja a Bunda como nossa representante. Pelo menos, quando ela fizer alguma merda, você não se sentirá enganado.
É. Eis o que nós somos. Um país de Bundões.
Mas o que acontecerá quando a Bunda sair de moda?
Pra onde vamos olhar? Pra frente?
Aonde vamos parar? Ou melhor, vamos parar algum dia?

Gilberto Cardoso, professor de língua portuguesa da Escola Padre Maurício e estudante de Letras da UEMA