sábado, 11 de outubro de 2008

As Palavras voam. Os Escritos permanecem.

Verba volant, Scripta manet – As palavras voam, os escritos permanecem.

O provérbio latino acima, retirado de um dos inúmeros contos do versátil Artur Azevedo, sintetiza o imenso valor literário e histórico dos textos produzidos pelo mesmo.
As Letras brasileiras, e não só as maranhenses, foram agraciadas pela presença deste ilustre teatrólogo, contista, poeta, jornalista e (por que não?) conhecedor como poucos da alma e costumes dos homens de sua época.
E da nossa também, uma vez que seus escritos permanecem atuais.
O leitor de Azevedo se vê no decorrer do texto lido. E levando em conta que o país, de lá pra cá, descontando-se as devidas peculiaridades temporais, continua o mesmo em essência, é possível entender essa atualidade. Quantas "Lolas", "Eusébios" e "Lourenços" não há por aí, e não só na "Capital Federal", mas em cada canto desta nação? E o drama vivido em "O Escravocrata", apesar das leis abolicionistas, reflete ainda na vida de muitos brasileiros, negros e brancos, sob a pesada carga do trabalho escravo moderno. Mas há também a malandragem inócua(?) do Borba, a persistência do apaixonado Isaías e seus divertidos anexins, a esperteza do pacífico boticário que com uma singela pílula resolveu um possível conflito de morte.
Isso é Artur Azevedo.
O Brasil é Artur Azevedo. Em todos os contos, artigos, poemas e peças.
E ainda que para alguns o autor não seja um Machado nas Letras, Artur construiu com sua brilhante pena pilares literários críticos, cômicos, azedos e de igual quilate ou até mais do que os do bruxo do Cosme velho.
Textos que ontem e hoje fazem o Brasil pensar, chorar e rir de si mesmo.

Gilberto Cardoso, professor de língua portuguesa.

Quando a vida resolve esclarecer as coisas.

A vida tem uma maneira estranha de esclarecer as coisas, de abrir os nossos olhos, de "dizer não".
Às vezes, demoramos para entender o recado pois nem sempre evidências são tão claras, mas logo a vida dá um jeito de chamar nossa atenção, e quando isso acontece, quando a vida decide ser um pouco mais incisiva, um pouco mais objetiva, aí é que a coisa complica. Ela não vai querer se importar com nossos sentimentos, não vai querer saber se vamos ficar decepcionados, tristes ou deprimidos. O que ela quer é esclarecer as coisas, nos mostrar aquilo que podemos e não podemos fazer, mesmo que seja algo que desejamos muito.
Às vezes, também a vida deixa passar, deixa que você "curta o momento", porque ela sabe que logo vai passar e sabe esperar o momento certo para te colocar contra a parede, te mostrar o erro, aquilo que você não queria enxergar. E então, estando ou não preparado, lá vai a vida abrir os seus olhos, e na maioria das vezes, o que se vê não é nada agradável.
Às vezes ela te impõe condições, te dar várias opções só pra te confundir ainda mais. Ela sabe que você tá tentando seguir um caminho, então ela coloca à sua frente, "na contramão", algo tentador. Te faz querer aquilo. Tenta-o para que você siga um outro caminho. Faz parecer bom, mas só no começo. Depois que você muda de caminho é que percebe as imperfeições existentes nesta estrada, os obstáculos nela e que só vão te prejudicar.
Não entendeu o que eu disse? Eu falei que é complicada a maneira que a vida tem de abrir os nossos olhos.
Somos imperfeitos.Nem sempre dá pra evitar. O que temos que fazer é viver a vida, prestando atenção a todos os seus movimentos, porque quando ela resolve esclarecer as coisas...

Herryson Carvalho, meu aluno genial da 8 série.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Começo e Meio.

Quantas vezes o futuro vai me enforcar?
Até quando vou te ver sem poder te tocar?
Quando vai esquecer que eu estava dormindo na hora em que você dizia que me amava ao pé do ouvido?
Por que essa transparência na hora em que mais preciso?
E onde meu corpo vai cair nesse precipício?
Quantas vezes nossos caminhos vão se cruzar?
E eu não vou ter coragem de te falar.
Espero essa noite passar assim como espero sua felicidade ainda que para mim isso custe a eternidade. Ainda que prevaleça a saudade. Ainda que leve consigo todas as respostas e que o passado afaste de ti todas as minhas lembranças. Ainda que para mim custe voltar à infância.
E quando o vento parar, o calor voltar, espero tudo isso congelar. Apenas pra dizer que você tem tudo, todo o meu mundo e que toda essa tempestade se acabe com apenas uma frase: "felizes para sempre".
Caso contrário, isso não passará de um poema.
E nada mais.

Escrito por Pedro Henrique, meu querido irmão e aluno.

domingo, 21 de setembro de 2008

O Futuro no/do presente.

Nosso futuro até pode ser incerto.
Mas é construído por meio de nossas ações do presente.
Uma virada pra esquerda em vez da direita. Uma escolha tomada em vez de outra. Um caminho trilhado em vez de outro. São pequenas ações que podem fazer a diferença no futuro que teremos pela frente.
Mas como tomar decisões certas? Como saber se elas são as melhores possíveis?
Eis o problema! Não sabemos!
Não podemos saber até que as consequências nos atinjam. E cabe a nós, o difícil peso de tomar decisões. E independente da idade, elas sempre são difíceis. Podem mudar o rumo de nossas vidas ou mantê-las em um destino já estabelecido.
Espere um pouco! Já estabelecido?
Essa é a grande questão a se pensar. Podemos interferir no futuro ou tudo já está traçado e somos atores vivendo uma peça escrita?
Seja como for, uma coisa é certa: toda ação possui uma reação equivalente.
Por isso é importante pensar antes de agir. Pensar não só no agora, mas no depois.
E ao reconhecer um erro no caminho, tenha humildade e força de vontade, não para tentar apagar o que está errado, mas para corrigi-lo.

Gilberto Cardoso, professor.

sábado, 13 de setembro de 2008

O Lobo mau não anda nas florestas!

"Sabe quem está falando?"
Espere um pouco! A frase está meio desatualizada. Vamos modernizá-la.
"Sabe quem está teclando?"
O Mundo mudou. E a comunicação entre as pessoas também.
Tornou-se mais impessoal. No apertar de uma tecla. O problema é não saber quem está do outro lado. Não saber quem está falando de verdade.
Nos últimos anos, os crimes via Internet cresceram de forma assustadora. Vivemos a onda do relacionamento digital. Amaldiçoados sejam os que não têm perfil no Orkut. Que sejam banidos os pobres-coitados que não usam o Msn. O analfabetismo digital virou uma praga a ser combatida.
E por causa disso, as portas de nossas casas podem estar abertas para visitantes indesejados.
É como a velha fábula da "Chapéuzinho Vermelho" transportada para o século atual. Apesar dos constantes avisos, ela insiste em ir pelo caminho da floresta. Entretanto, em nossos dias, os "Lobos" não habitam a selva.
Estão on line.
E podem ser detidos através do toque em uma tecla. Por mãos conscientes e mentes pensantes.

Gilberto Cardoso, professor.

Chinismo!

O Mundo abriu os olhos em direção a China não fez o mesmo. Acabaram-se as Olimpíadas e uma pergunta ficou no ar: Valeu a pena?
Se o objetivo era mostrar superioridade no campo desportivo e ostentar um invejável poderio econômico, as Olimpíadas valeram e muito. Mas e o tão celebrado "espírito olímpico?" Ele consegue resistir aos diversos ataques aos direitos humanos cometidos pelo governo chinês? Exploração de mão-de-obra operária, a ocupação e opressão ao Tibete, a "muralha chinesa" sobre a Internet e outros meios de comunicação, tudo isso nos leva a questionar o valor dos jogos de Pequim. Afinal de contas, suprimir a liberdade em troca de um show para ficar na história é o preço a se pagar?
Essa é uma questão a se pensar.
Os jogos olímpicos já foram usados como bandeira política no passado, mas o último foi mais do que isso. O que incomoda mais é a atitude conivente, passiva, das grandes potências. Tudo pela oportunidade de lucros avantajados no mercado chinês, que abriu-se sorridente para o Capitalismo.
Isso é cinismo.
No mais alto grau. E com consequências sérias. Não só para um país, mas para a humanidade.

Gilberto Cardoso, professor.

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Vou colar em Lula!

Apesar de tudo, o povo ama Lula.
Tá certo que o "povo" na verdade é a massa de brasileiros humildes e trabalhadores espalhados por nossa imensa nação e que os mesmos, por falta de uma educação de qualidade, não têm consciência crítica pra enxergar o que há por trás dos discursos populistas e da cara de pobre do nosso presidente. Mas ainda assim, ele é amado. Foi blindado pelo povo. Podem chover denúncias de corrupção, mas elas não grudam em Lula. O cara sempre sai ileso. É quase um Superman da política brasileira.
Quase.
E é por isso que tanta gente quer colar em Lula. É até interessante isso. Anos atrás, a simples menção do "Barbudo comunista do PT" faria alguns candidatos sairem correndo. Hoje em dia, a correria continua. Mas em direção a Lula. Correm para figurar ao lado dele numa foto, para aparecer colado com ele em alguma manifestação pública. Na verdade, descobriu-se que Lula não é humano. É uma mina de ouro. Um objeto valioso que traz sorte, benefícios para quem se utiliza dele.
Em nossa cidade, "Oposição" e "Situação" estão com Lula. O verdureiro e o filho do deputado também.
E eu vou colar em Lula, é claro.
Pessoas desconfiam da minha integridade moral, da minha honestidade? Nada que uma foto ao lado de Lula não resolva. É tiro e queda pra restaurar minha credibilidade ameaçada.
Minha esposa desconfia de minhas constantes saídas noturnas? Basta mostrar minhas credenciais lulistas para o amor eterno reinar em meu lar.
Acredito que todo brasileiro deveria ter uma foto de Lula para colar em casa. O país não iria mudar, mas uma onda de otimismo iria varrer a sociedade.
Sociedade unida, melhor e ... colada em Lula!

Gilberto Nunes, professor.